Friday, February 28, 2003

Capuchinhos Vermelhos com futuro ameaçado

Estará a história do Capuchinho Vermelho desactualizada e comprometida?
Hoje em dia, muitas famílias, têm enorme dificuldade em cuidar dos seus idosos. Assim, estamos face a um grave e complexo panorama.
De que forma é que os netos do século XXI poderão enfrentar os perigos do deserto rural ou da floresta urbana e a sedução do lobo mau e do egocentrismo?
Para obter um resposta a estas questões, precisamos de salientar alguns factores condicionantes como o aparecimento das diferenças na estrutura familiar, ritmos de vida que deixam pouco tempo livre para cuidarmos de nós e dos outros e uma cultura individualista que tão bem caracteriza os tempos modernos.
Muitos dos nossos idosos queixam-se de um abandono afectivo e de se sentirem inúteis para com a sociedade.
Para se tentar resolver este dilema que nos deixa tão frustrados e nos faz pensar como será o nosso futuro, temos que tentar aumentar o número de Capuchinhos vermelhos e reinventar a solidariedade intrafamiliar. Para isso é necessário que o estado crie benefícios fiscais para os contribuintes que assumam o acompanhamento dos seus familiares idosos, implemente uma legislação de protecção à família e invista na formação de pessoas que cuidem informalmente dos idosos dependentes. Também é preciso sensibilizar os indivíduos desde a infância para a importância da solidariedade familiar e aumentar a responsabilidade dos portugueses em relação á partilha de responsabilidades.
As mutações sociais relacionadas com as novas arquitecturas familiares e com o individualismo exacerbado têm contribuído para o isolamento dos idosos. Paralelamente, o rápido aumento da esperança média de vida tem evidenciado esse fenómeno.
Assim, é necessário encarar os idosos em função das suas capacidades e não, em função da sua categoria etária, pois a “terceira idade” não é só composta por elementos inválidos e pouco influentes e, o passo a tomar, deve ser a sua reinserção na sociedade e não a sua exclusão. Temos que lhes dar o espaço que eles merecem no nosso meio que, por vezes, é tremendamente discriminatório.